Vício em Jogos: Quando o Uso Cresce e Começa a Causar Problemas
Jogar videogame faz parte da rotina de muitas pessoas e, para a maioria, é uma atividade de lazer. O problema aparece quando o uso dos jogos começa a ocupar um espaço cada vez maior na vida e passa a interferir no sono, nos estudos, no trabalho, nos relacionamentos ou em outras atividades importantes.
A Organização Mundial da Saúde reconhece o transtorno de jogos, chamado de gaming disorder, na CID-11. A condição envolve um padrão persistente de comportamento caracterizado por dificuldade de controlar o jogo, prioridade crescente dada aos jogos e continuidade ou aumento da prática apesar das consequências negativas.
Como o problema pode começar?
Nem todo aumento no tempo de jogo significa que existe um transtorno. Em determinadas fases da vida, uma pessoa pode jogar mais por lazer, por férias, por interesse em um novo jogo ou porque está jogando com amigos.
A preocupação aumenta quando o comportamento começa a mudar de forma progressiva e o jogo passa a ocupar cada vez mais espaço em relação às outras atividades.
Quando o uso de jogos começa a crescer?
Em alguns casos, o crescimento do problema pode ser percebido por mudanças graduais. A pessoa começa jogando em determinados horários e, com o tempo, passa a jogar por períodos maiores ou com mais frequência.
Depois, outras atividades podem começar a ser deixadas de lado. Dormir mais tarde, adiar compromissos, faltar a atividades, diminuir o contato social ou perder o interesse por antigos hobbies podem ser sinais de que o equilíbrio da rotina está sendo alterado.
O ponto importante não é apenas o número de horas jogadas, mas o impacto que esse comportamento está produzindo na vida da pessoa.
Um problema que pode crescer aos poucos
O crescimento do problema pode acontecer de maneira gradual e, por isso, nem sempre é percebido imediatamente pela própria pessoa ou pela família.
Uma rotina pode começar com algumas horas de jogo e, posteriormente, apresentar mudanças como dificuldade para parar, irritação quando precisa interromper a atividade, abandono de outras atividades e utilização dos jogos como principal forma de lidar com sentimentos desagradáveis.
Quando essas mudanças se acumulam e passam a prejudicar áreas importantes da vida, é importante observar o comportamento com atenção.
Não é necessário considerar toda pessoa que joga muito como alguém que possui um transtorno. A própria OMS informa que o transtorno de jogos afeta apenas uma pequena proporção das pessoas que jogam. O diagnóstico depende do padrão de comportamento e do prejuízo causado, e não simplesmente da existência do hábito de jogar.
Sinais de que o jogo pode estar se tornando um problema
Alguns sinais merecem atenção, principalmente quando aparecem juntos e começam a interferir na vida cotidiana:
• Dificuldade para controlar o tempo de jogo: a pessoa pretende jogar por determinado período, mas não consegue parar como havia planejado.
• O jogo passa a ocupar prioridade: outras atividades importantes começam a ser colocadas em segundo plano.
• Aumento progressivo: a pessoa passa cada vez mais tempo envolvida com jogos ou aumenta a frequência das sessões.
• Continuação apesar dos problemas: o comportamento continua mesmo depois de aparecerem consequências negativas.
• Prejuízo na rotina: estudos, trabalho, relacionamentos, sono ou outras responsabilidades começam a ser afetados.
• Redução de outros interesses: atividades que antes eram importantes deixam de despertar interesse.
Esses aspectos fazem parte da definição de transtorno de jogos utilizada pela OMS, especialmente a perda de controle, a prioridade crescente dada ao jogo e a continuidade apesar das consequências.
O crescimento do problema pode afetar o sono
Quando o tempo de jogo aumenta, uma das áreas que pode ser afetada é o sono. Jogar até tarde pode reduzir o período disponível para dormir e alterar a rotina diária.
A OMS também chama atenção para possíveis consequências associadas a padrões excessivos de uso, incluindo problemas relacionados ao sono e ao funcionamento cotidiano.
Impactos nos estudos e no trabalho
Outra mudança que pode aparecer é a dificuldade de manter compromissos. A pessoa pode começar a atrasar tarefas, deixar atividades para depois ou faltar a compromissos porque prefere continuar jogando.
Quando o jogo começa a interferir de forma significativa no desempenho escolar, profissional ou em outras responsabilidades, o comportamento merece atenção.
Impactos nos relacionamentos
O crescimento do tempo dedicado aos jogos também pode reduzir a convivência com familiares, amigos ou parceiros.
Discussões sobre o tempo de jogo, isolamento e abandono de atividades compartilhadas podem aparecer quando o comportamento começa a ocupar uma posição central na rotina.
Quando procurar ajuda psicológica?
A ajuda psicológica pode ser considerada quando a pessoa percebe que não consegue controlar o comportamento ou quando o uso dos jogos começa a provocar prejuízos importantes.
O psicólogo pode ajudar a compreender a relação da pessoa com os jogos, identificar situações que favorecem o aumento do comportamento e trabalhar outras formas de lidar com emoções, dificuldades e problemas da rotina.
O acompanhamento deve considerar a situação individual. Em alguns casos, também pode ser importante avaliar outras questões de saúde mental que estejam ocorrendo ao mesmo tempo.
Quando o problema envolve adolescentes?
Adolescentes podem utilizar jogos como forma de lazer e socialização. Entretanto, mudanças importantes no comportamento merecem atenção quando o jogo começa a interferir em sono, escola, convivência familiar, amizades ou outras atividades.
Nessas situações, a família pode procurar orientação profissional para compreender melhor o que está acontecendo e avaliar quais medidas podem ser adotadas.
O tratamento pode ajudar?
Sim. Quando existe um padrão de comportamento que causa sofrimento ou prejuízo significativo, a avaliação e o acompanhamento profissional podem ajudar.
A psicoterapia pode trabalhar controle do comportamento, organização da rotina, identificação de gatilhos, relações familiares, emoções e outras questões relacionadas ao uso dos jogos.
A OMS destaca que a identificação adequada do transtorno é importante para orientar intervenções e medidas de prevenção e tratamento.
Encontre um psicólogo no Oikora
Se você ou alguém próximo está percebendo que os jogos estão ocupando cada vez mais espaço na rotina, é possível buscar um profissional de psicologia no Oikora.
Encontrar psicólogosPerguntas frequentes sobre vício em jogos
Jogar muitas horas significa que a pessoa tem transtorno de jogos?
Não necessariamente. A quantidade de horas, isoladamente, não determina um diagnóstico. É importante observar perda de controle, prioridade dada aos jogos e prejuízos significativos em outras áreas da vida.
O vício em jogos pode aumentar com o tempo?
O comportamento problemático pode se tornar progressivamente mais presente na rotina. Um dos aspectos observados pela CID-11 é o aumento da prioridade dada aos jogos e a continuidade ou escalada do comportamento apesar das consequências negativas.
Quando o jogo começa a ser preocupante?
Quando a pessoa perde o controle sobre o comportamento ou quando os jogos começam a ocupar o lugar de atividades importantes e provocar prejuízos nos estudos, trabalho, relacionamentos, sono ou outras áreas da vida.
Psicólogo trata vício em jogos?
O psicólogo pode participar da avaliação e do acompanhamento psicológico de pessoas que apresentam problemas relacionados ao uso de jogos, considerando as características e necessidades de cada caso.
É possível parar de jogar completamente?
A necessidade de interromper completamente os jogos depende da situação individual e da avaliação profissional. O objetivo do acompanhamento deve ser definido considerando o padrão de comportamento e os prejuízos apresentados.
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